lorena poema
   
 
   
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não me venha com as tuas boletas
a minha fantasia
é te encontrar no hospital
brigar com os enfermeiros
deitar no primeiro bar
descobrir a cidade embriagada
matar-me aos poucos
abrindo as garrafas com o vestido
negando moedas
estúpida
sozinha
com uma bic e um guardanapo
e um garçom
que me fere
me inveja
chorar.
 
9 songs, de michael winterbottom (2004)


Escrito por lorena martins às 22h45
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manhã de tijolos
 
do quarto escuto
abafada pelos cobertores
a sirene
 
rodopia
tua voz
vermelha
rouba-me as maçãs
do rosto
 
anna karina em vivre sa vie, de j-l godard (1962)
 
 


Escrito por lorena martins às 23h07
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infância

no centro dos meus olhos
o mundo girava

nesta época
as mangueiras davam flores
Tânia Mara passava
carregando seus cadernos
como se carregasse
os segredos dos homens

bem na frente de casa

o mundo girava
girava a escola
o pão mofado na merendeira
o rio preso no mapa

bem no meio da tarde

nesta época
morrer era um mistério
meu avô erguia a bengala
apontava para o horizonte
e dizia que lá
- depois do fim -
nascia livre e límpida
uma cordilheira

do meu querido amigo otávio afonso

http://ocmas.blogspot.com/

candido portinari 



Escrito por lorena martins às 18h38
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FOTO ARTE 2007 Brasília

voilà:

Entre a Nostalgia e o Cinismo, de Wang Qingsong (China), com curadoria de Josette Balsa; Panorâmicas, de Esteban Pastorino e Natureza Viva, de Sérgio Fasola (Argentina), com curadoria de Elda Harrington; Re-flexos, luz e sombras – Fotografia e Psicanálise, de Andréa Mendes (Brasil) e a Coletiva Urban Spaces (Brasil), idealizada por Ilana Bessler.

imperdíveis:

o chinês e seu cinismo superpop

esteban e seu neo-futurismo melancólico

e o seu sergio, que bebeu picasso e cézanne com arcimboldo

e eu achei uma maravilha.

tudo no

espaço cultural contemporâneo ecco

outubro/novembro em brasília. e tomara que vá para outros sítios.

 

 



Escrito por lorena martins às 23h43
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bien, inaugurando uma nova fase do blog (que em breve vai ganhar outro visual), não só postarei os meus poemas, mas também outras cousas. começo com um poema que amo  

ÁGUA PERRIER

Não quero mudar você
nem mostrar novos mundos
pois eu, meu amor, acho graça até mesmo em clichês.

Adoro esse olhar blasé
que não só já viu quase tudo
mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.

Só proponho
alimentar seu tédio.
Para tanto, exponho
a minha admiração.
Você em troca cede o
seu olhar sem sonhos
à minha contemplação:

Adoro, sei lá por que,
esse olhar
meio escudo
que em vez de meu álcool forte pede água Perrier.

antonio cicero



Escrito por lorena martins às 00h13
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encontrei uma pousada com janela no teto.
disseram-me as moças
que de lá podemos ver várias lunas,
daquelas que só existem na argentina.
 
a primeira noite de tranqüilidade, de valerio zurlini (1972)


Escrito por lorena martins às 21h37
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(noturno, soturno, saturno, o torpedo:)

há alguém que não dorme. sonha, apenas.
musica pequenos ruídos. sorri para o silêncio
um sorriso na escuridão.
há alguém que penumbra de amor.
 
 

 



Escrito por lorena martins às 00h01
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