a janela gradeada suspensa na xícara café amargo
esqueço de adoçar, eu nem sempre esqueço.
a mala ocupando o corredor arranca-me os sapatos
eu salto eu caio esparramo mapas
enquanto o telefone toca e eu não atendo.
do parapeito desconheço vizinhos aceno em vão
deixo queimar o rosto a metade
memorizo o caminho de volta com as bolas do colar
vermelho
embrulho tudo no lençol lenços, casacos
caixas-pretas
amarradas, assustam o porteiro
bom dia, dona flor
é feriado.
les amants réguliers, de philippe garrel (2005)
Escrito por lorena martins às 22h49
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