lorena poema
   
 
   
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                                                                                                   loretta lux

hoje, enquanto o dia gritava seus lugares,
lembrei de quando cresci.

cresci numa tarde
dessas em que o vento parece saudoso
suado
e num deslize
respira o rosto
e devaneia.  

cresci como quem atravessa o trigo
arranca das árvores as folhas boas
e de qualquer vertigem passageira
o vestido.

cresci chorando sobre um gramado roxo,
destemperado,
que nos invernos cobria meus pés de terra
                                                        e formigava.

cresci diante dos meus olhos
épocas -
um só corpo ensolarado
enjoado.

eu ri quando cresci.

e despejei rumores, meias escuras
e copos pela metade.

assim que a noite,
não tão noite mas ríspida,
viu meus braços se alongarem,
os cabelos formarem cachos,
eu desfiz.

tramei meu conto.

quando cresci,
o cruzar de pernas que minha mãe ensinou,
o tom de voz que me era permitido,
a blusa de tricô
que escondia os mamilos,

amargaram.

foi então que amanheci.

cobri o embaraço com pitangas à boca
mergulhei onde era raso
desejei os meus pudores
e me vi
quando era quase entristecer.

eu cresci
e na moldura dos traços
rastros, lastros
eu te vi:

é um túnel.



Escrito por lorena poema às 19h48
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                       Gael em Má Educação, de Pedro Almodóvar

dá-me um branco
ignora-me na tua
                         mesa-de-bar
mata-me
os insetos
com teu solado
           de espanto                   

veste-me
como a tua saída

                  - uma noite se quebra
                    com uma taça.

sua-me
enquanto dispo-me
diante da bula
reclusa
teu insano sacrilégio 

            até que eu te odeie
burla-me
doa-me um pedaço
no fim do teu túnel
              jaz-me vermelha aguda

minha saia curta
a cortar-te a barba

meu veludo gasto
a alfinetar-te o sopro

meu salto

agulha.

 



Escrito por lorena poema às 22h15
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