lorena poema
   
 
   
BRASIL, Mulher, French, English
Outro - lorena.martins@gmail.com
 

  Histórico

Outros sites
 caiowas
 caio carmacho
 chacal
 gaiteros
 cep 20.000
 arrudA
 ubuweb
 paula gastaud
 rodel-la
 carpinejar
 gerusa marques
 felipe jornada
 nave vazia
 porto poesia
 letícia verdi
 memórias do sub
 carol luisa
 joão paulo cuenca
 paulo scott
 bruna beber
 hilda magazine
 grace luzzi
 otávio afonso
 leandro de paula
 portal literal
 don't touch my moleskine
 leo lage
 ana guadalupe
 diego grando
 laura erber
 modo de usar & co
 rodrigo de lemos
 ivana arruda leite
 marcelino freire
 dna galerie
 andréa del fuego
 clarissa brittes
 pablo gonçalo
 joca reiners terron
 michel laub
 eduardo muylaert
 fernanda d'umbra
 bruno zeni
 lourenço mutarelli
 índigo
 estevão azevedo




 

 
 

 

é amanhã!!!



Escrito por lorena martins às 15h15
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

lançamento do meu primeiro livro, "água para viagem"

dia 31 de maio, no rio.

em junho lançarei em sp, em porto alegre e em brasília. postarei as datas aqui.

conto com a presença de vocês! :*

(emoção).



Escrito por lorena martins às 17h06
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

Cuatro Boleros Maroqueros 

 

1

Con las últimas lluvias te largaste
y entonces yo creí
que para la casa mas aburrida del suburbio
no habrian primaveras ni otoños ni inviernos ni veranos.
Pero no.
Las estaciones se cumplieran
como estaban previstas en cualquier almanaque
Y la dueña de la casa y el cartero
no me volvieron a preguntar
por ti.

2

Para olvidarme de ti y no mirarte
miro el viaje de las moscas por el aire
Gran Estilo
Gran Velocidad
Gran Altura.

3

Para olvidarte me agarro al primer tren y salgo al campo
Imposible Y es que tu ausencia
tiene algo de Flora de Fauna de Pic Nic.

4

No me aumentaron el sueldo por tu ausencia
sin embargo el frasco de Nescafé me dura el doble
el triple las hojas de afeitar.

 

Antonio Cisneros


2046, de Wong Kar-Wai

 

 

 



Escrito por lorena martins às 14h17
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

ano que termina
areia cheia
conchas mínimas

Alice Ruiz

Eduardo Barrox



Escrito por lorena martins às 14h20
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

                                                     para m.

I

como um mágico escondido
atrás dos livros
meu amor me olha com gosto
de lágrima 

do fim de tarde vazio
restam as pernas cruzadas
sobre o vaso e as flores
enroscadas
pétala a pétala na pele
do meu amor que me fita
triste
a mão macia apoiada
no ventre de um verso.

II

espero por teus olhos,
meu demorado amor,
detendo-se sobre o meu colo
com sua saliva
o cheiro áspero e eterno
da sua saliva.

Aleksandr Ródtchenko



Escrito por lorena martins às 14h45
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

 

 

frasqueira

não me emocionam mais os surtos heróicos

de marina para segurar o que já vai

arranhando as unhas nas paredes do precipício

 

e deixo cair

 

os espasmos de saudade que marina sente

do que perdeu porque não cuidou

não me emocionam mais

 

ah, a juventude, a de marina segue relapsa

fazendo de conta como nos livros infantis

e aquela fantasia não me emociona mais

 

uma pena

 

meu coração parou de bater

na tecla que marina chama de destino

e agora o que marina chama de amor

eu não atendo mais.

bruna beber


está no livro balés a versão final desse poema:

 

não me emociona o heroísmo
o que arranha as unhas nas paredes
do precipício deixo cair

a saudade que se sente
o faz de conta, aquela fantasia
não me emocionam mais

meu coração parou de bater
na tecla que você chama de destino
e o que você chama de amor
eu não atendo mais

 

 

 

 

Gerhard Ricther  - Tulips, 1995, óleo sobre tela

 

                                     

Anton Henning   - Pin.Up Nº 148, 2009, óleo sobre tela.

São dois (que eu amei conhecer) dos artistas presentes na mostra Se não neste tempo, que está em cartaz no MASP. Adorei. 



Escrito por lorena martins às 17h34
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

SOBRE UMA FOTO DE EDWARD WESTON

Nua, anônima, 1923. Vinte anos presumíveis
branca, em decúbito dorsal, com o tronco
arqueado (talvez pela respiração presa
no instante único da foto, ou melhor:
foi a foto que a sustou, a suspendeu
para sempre), e mais o cheiro, parado
do grosso cabelo preto do púbis
do pouco que aparece nas axilas não raspadas
que saboreio, degusto, engulo em seco
sinto o gosto, agora, porque a pele
do corpo é de hoje, setenta e oito anos depois
e brilha, lisa, morena de sol, sem nenhum sinal
de vida, porém. Teus olhos fechados te encerram.

Armando Freitas Filho

Edward Weston



Escrito por lorena martins às 12h00
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

É HOJE!

Lançamento da minha querida Alice Ruiz.

IMPERDÍVEL!



Escrito por lorena martins às 11h35
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

lunes

com poemas interrompa
me vestindo a tarde
com tuas vontades noturnas

 

Pintura de Felipe Ehrenberg,

cuja lindíssima retrospectiva da obra,

MANCHÚRIA

pode ser experimentada até 31 de outubro na Estação Pinacoteca, em SP.

Imperdível!



Escrito por lorena martins às 15h48
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

O que se foi

 

O que se foi se foi.

Se algo ainda perdura

É só a amarga marca

Na paisagem escura.

 

Se o que se foi regressa,

Traz um erro fatal:

Falta-lhe simplesmente

Ser real.

 

Portanto, o que se foi,

Se volta, é feito morte.

 

Então por que me faz

O coração bater tão forte?

Ferreira Gullar em seu novo livro Em alguma parte alguma. A edição é um fiasco, mas o livro é belo, é claro.

Otto Dix



Escrito por lorena martins às 16h05
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

London

I wander through each chartered street,
Near where the chartered Thames does flow,
And mark in every face I meet,
Marks of weakness, marks of woe.

In every cry of every man,
In every infant's cry of fear,
In every voice, in every ban,
The mind-forged manacles I hear:

How the chimney-sweeper's cry
Every blackening church appals,
And the hapless soldier's sigh
Runs in blood down palace-walls.

But most, through midnight streets I hear
How the youthful harlot's curse
Blasts the new-born infant's tear,
And blights with plagues the marriage-hearse.

William Blake

Vagueio por estas ruas violadas, 
Do violado Tamisa ao derredor, 
E noto em todas as faces encontradas 
Sinais de fraqueza e sinais de dor. 

Em toda a revolta do Homem que chora, 
Na Criança que grita o pavor que sente, 
Em todas as vozes na proibição da hora, 
Escuto o som das algemas da mente. 

Dos Limpa-chaminés o choro triste 
As negras Igrejas atormenta; 
E do pobre Soldado o suspiro que persiste 
Escorre em sangue p'los Palácios que sustenta. 

Mas nas ruas da noite aquilo que ouço mais 
É da jovem Prostituta o seu fadário, 
Maldiz do tenro Filho os tristes ais, 
E do Matrimónio insulta o carro funerário.
 

Tradução de Hélio Osvaldo Alves

Ana Lucia Mariz. Foto que integra a mostra "Mind the Gap",  na Ímã Foto Galeria, em São Paulo.

(saudades deu de lá.) 



Escrito por lorena martins às 13h43
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

 

APEDREJEMOS AS ADÚLTERAS

vamos sequestrar as mulheres do Irã
enquanto seus maridos dormem bêbados
depois da última noitada
vamos nos casar com as mulheres do Irã
e criar seus filhos —
vamos deixar os homens do Irã sozinhos
batendo punhetas nervosas
ou fodendo uns aos outros —
vamos amar as mulheres do Irã
vamos ser traídos pelas mulheres do Irã
vamos perdoar as mulheres do Irã
e ser felizes com as mulheres do Irã

vamos sequestrar as mulheres do Brasil

Fabrício Corsaletti

Iman Maleki



Escrito por lorena martins às 11h26
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

Exilio

                                                    A Raúl Gustavo Aguirre

Esta manía de saberme ángel,
sin edad,
sin muerte en qué vivirme,
sin piedad por mi nombre
ni por mis huesos que lloran vagando.

¿Y quién no tiene un amor?
¿Y quién no goza entre amapolas?
¿Y quién no posee un fuego, una muerte,
un miedo, algo horrible,
aunque fuere con plumas,
aunque fuere con sonrisas?

Siniestro delirio amar a una sombra.
La sombra no muere.
Y mi amor
sólo abraza a lo que fluye
como lava del infierno:
una logia callada,
fantasmas en dulce erección,
sacerdotes de espuma,
y sobre todo ángeles,
ángeles bellos como cuchillos
que se elevan en la noche
y devastan la esperanza.

Alejandra Pizarnik

Ed Templeton



Escrito por lorena martins às 17h38
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

picareta cultural 2010 - off flip

meu querido caio carmacho realiza novamente a sua picareta cultural.

quem for pra flip, já sabe. imperdível!

 

 



Escrito por lorena martins às 14h26
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

se eu pudesse provar

o meu amor

lambê-lo-ia.

 

Anna Karina em Une femme est une femme, de Godard (1961)



Escrito por lorena martins às 20h49
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

MADRUGADA

Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite

a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes

 

Ferreira Gullar estará neste final de semana em São Francisco Xavier-SP, onde participará do III Festival da Mantiqueira. Na segunda-feira, o poeta partirá para Monteiro Lobato, São Bento do Sapucaí, Pindamonhangaba e Guaratinguetá, para participar do programa Viagem Literária. A programação completa do Festival e do Viagem Literária você encontra no www.cultura.sp.gov.br. Imperdível!



Escrito por lorena martins às 16h21
[] [envie esta mensagem
] []


 

 


Aeromoça
 
E uma aeromoça mandou apagar todos os apetrechos de fumo
E não especificou: cigarro, charuto ou cachimbo.
E eu respondi no meu coração: você tem belos apetrechos de amor,
E também não especifiquei.
 
E ela disse que eu apertasse o cinto e me afivelasse
À poltrona, e eu respondi:
Quero que todas as fivelas na minha vida tenham a forma da sua boca.
 
E ela disse: Você quer café agora ou mais tarde
Ou nunca. E passou por mim,
Alta de tocar o céu.
 
A pequena cicatriz no alto do seu braço
Indicava que jamais contrairia varíola
Seus olhos indicavam que jamais voltaria a se apaixonar.
Pertence ao partido conservador
Daqueles que só têm um grande amor na vida.

Yehuda Amichai 
Tradução: Monique Balbuena


Paul Klee: Sommeil d'hiver, 1938.



Escrito por lorena martins às 13h45
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

2.
 
I go where I love and where I am loved,
into the snow;
 
I go to the things I love
with no thought of duty or pity;
 
I go where I belong, inexorably,
as the rain that has lain long
 
in the furrow; I have given
or would have given
 
life to the grain;
but if it will not grow or ripen
 
with the rain of beauty,
the rain will return to the cloud;
 
the harvester sharpens his steel on the stone;
but this is not our field,
 
we have not sown this;
pitiless, pitiless, let us leave
 
The-place-of-a-skull
to those who have fashioned it.
 
H.D. or Hilda Doolittle in The Flowering of the Rod
 
 
Adonde amo y soy amada,
hacia la nieve, me dirijo;
 
voy a las cosas que amo
sin sentir obligación ni compasión;
 
voy adonde pertenezco, inexorablemente,
como lluvia hace tiempo retenida
 
en el surco; he dado
o hubiera dado
 
vida al grano;
mas si no crece o madura
 
com la lluvia de la belleza,
volverá la lluvia a la nube;
 
el recolector afila su acero en la piedra;
pero esto no es nuestro terreno;
 
no lo hemos sembrado nosotros;
sin compasión, sin compasión, dejemos
 
El-lugar-de-la-calavera
a aquellos que lo han modelado.
 
Tradução de Natalia Carbajosa

J.M.W. Turner : Snow Storm-Steam-Boat off a Harbour's Mouth (1842)
 



Escrito por lorena martins às 18h49
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

escorre-me o cansaço
escuro
dos cabelos à laje
                 imunda
minha fala derramada.

arrasto camisolas e divãs
respiro próximo
                   à janela
pequenos infernos
rachados às pressas.

visto violinos como se fossem
                                        troncos
e dos braços apunhalados
pudesse ver
            arrepiarem os pêlos.

corrijo as pernas entre as cortinas
escondo os farelos
                    do meu dia
desfaço flores à porta
rouca encostada
tramando
            feixes de luz.

 [Este poema integra o meu primeiro livro, água para viagem, que sairá em 2011. Em breve mais notícias.] 

Jan Smith

[ De 9 de março a 1º de abril, a Galeria Eduardo H Fernandes recebe AUSÊNCIA E ABANDONO, exposição de fotos de Smith.]



Escrito por lorena martins às 15h47
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

O teu rosto inclinado pelo vento;
a feroz brancura dos teus dentes;
as mãos, de certo modo, irresponsáveis,
e contudo sombrias, e contudo transparentes;
o triunfo cruel das tuas pernas,
colunas em repouso se anoitece;
o peito raso, claro, feito de água;
a boca sossegada onde apetece
 
Navegar ou cantar, ou simplesmente ser
a cor dum fruto, o peso duma flor;
as palavras mordendo a solidão,
atravessadas de alegria e de terror;
são a grande razão, a única razão.
 
Eugénio de Andrade

Tous les matins du monde (Todas as manhãs do mundo), de Alain Corneau, 1990. 



Escrito por lorena martins às 18h59
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

O que eu quero de você

não quero voltar para casa    
no seu abraço
não busco o que perdi
nunca pensei fazê-la cúmplice
da minha solidão
nem me passou pela cabeça
jogar sujo
com você -
 
você é o vento quente
que me acompanha
o enigma que não precisa ser decifrado -
 
de você eu quero apenas
um filhote de lobo
um filhote de lobo
para morder minha mão direita
quando eu estiver no escuro
depois que o amor acabar

Fabrício Corsaletti

Peter Falk e Gena Rowlands em Uma Mulher sob Influência (1974), de John Cassavetes



Escrito por lorena martins às 11h35
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

REDUNDÂNCIAS

Ter medo da morte
é coisa dos vivos
o morto está livre
de tudo o que é vida

Ter apego ao mundo
é coisa dos vivos
para o morto não há
(não houve)
raios rios risos

E ninguém vive a morte
quer morto quer vivo
mera noção que existe
só enquanto existo

Ferreira Gullar

Goya

 



Escrito por lorena martins às 19h19
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

o amor deixa marcas estranhas

indecifráveis
ideogramas

pequenas vinganças
dormindo sem paz
em cama de pétalas
e velhos jornais

cicatrizes discretas
e outros sinais

como um vício comum
como outro
qualquer

o amor deixa marcas estranhas

quando deixa
de ser

poeta arrudA

araquém alcântara.



Escrito por lorena martins às 15h15
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

                                 para bóris marin

e com a mesma gravidade
com que as fotos perdem o foco
com que o olhar de minha mãe
condena e o fato
de todos nós sorrirmos 
para o homem que descansa
sua bengala e sua consciência
naquelas tardes de verão
ninguém ousaria
invadir as casas.

A Fita Branca (2009), de Haneke



Escrito por lorena martins às 01h00
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

Soneto

(Dezembro de 1937)

Aceitarás o amor como eu o encaro?...
... Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.

Mário de Andrade

(reencontrei o mário lá no blog da bruna. adorei e trouxe pra cá.)


A odalisca de Matisse.

 



Escrito por lorena martins às 14h23
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

nem todos os domingos
resistem aos gatos
assustados guardados
nos livros de cortázar.

 



Escrito por lorena martins às 13h51
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

picareta cultural 2009 !

meu xodó caio carmacho picareteando de novo. imperdível!

  

 



Escrito por lorena martins às 15h06
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

A ETERNIDADE
                          Arthur Rimbaud    

                          Tradução:  Augusto de Campos                        

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.


L'ETERNITÉ

Elle est retrouvée.
Quoi? – L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

Âme sentinelle,
Murmurons l'aveu
De la nuit si nulle
Et du jour en feu.

Des humains suffrages,
Des communs élans
Là tu te dégages
Et voles selon.

Puisque de vous seules,
Braises de satin,
Le Devoir s'exhale
Sans qu'on dise: enfin.

Là pas d'espérance,
Nul orietur.
Science avec patience,
Le supplice est sûr.

Elle est retrouvée.
Quoi? – L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

                         [Mai 1872]

Gustav Klimt : Love (1895)



Escrito por lorena martins às 17h16
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

outra tez vem aí

sou toda música:

http://www.ficcoes.com.br/escritorio.html

uhu!

 

 



Escrito por lorena martins às 19h44
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

FOTOGRAFIA DO 11 DE SETEMBRO
 
Pularam dos andares em chamas –
Um, dois, alguns outros,
Acima, abaixo.
 
A fotografia os manteve em vida.
E agora os preserva
Acima da terra rumo à terra.
 
Ainda estão completos,
Cada um com seu próprio rosto
E sangue bem guardado.
 
Há tempo suficiente
Para cabelos voarem,
Para chaves e moedas
Caírem dos bolsos.
 
Permanecem nos domínios do ar,
Na esfera de lugares
que acabam de se abrir.
 
Só posso fazer duas coisas por eles –
Descrever este vôo
E não acrescentar o último verso.

Wislawa Szymborska

 

Oscar Bony



Escrito por lorena martins às 18h09
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

I
Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
 
Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
 
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.
 
II
Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.
 
Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.
 
Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.
(...)

Hilda Hilst 
[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]



Escrito por lorena martins às 16h20
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

Até tu, São Paulo?

A SÉRIE "Mad Men" ainda não estreou no Brasil. Lamento. Melhor é impossível. "Mad Men" é o retrato perfeito dos publicitários da Madison Avenue na Nova York sofisticada de 1960. Mas é mais do que isso. Um fresco sobre a grande transição americana: do aburguesamento dos "fifties" à contracultura dos "sixties". Do tédio à lixeira.
Um pormenor, porém, não deixa de causar espanto entre os filistinos: o fumo. Em "Mad Men", toda a gente fuma com uma naturalidade que nos parece herética. Dentro dos edifícios, fora dos edifícios. Mães, pais. Patrões. Empregados. E médicos, é claro, a começar por um ginecologista que segura o cigarro com uma mão e faz o exame com a outra. Equilibrismo puro.
Tanto fumo não deveria espantar. Pessoalmente, ainda recordo o tempo heroico em que o meu avô me levava ao cinema e fumava, em plena sala, do princípio ao fim.
E, historicamente, "Mad Men" está na viragem. Em 1950, Richard Doll publicava o primeiro grande ensaio científico sobre a relação direta entre fumo (ativo) e doença. Só em 1970 chegou o mito do "fumo passivo". Digo "mito" e digo bem. Ainda está para aparecer o primeiro estudo cientificamente rigoroso capaz de mostrar uma relação sustentada entre "fumo passivo" e câncer.
O que não significa que não existam estudos sobre essa hipótese. Christopher Booker, um especialista sobre as nossas histerias modernas, normalmente lembra dois. Os maiores e mais recentes. O primeiro foi realizado pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, da Organização Mundial de Saúde. O segundo foi dirigido, durante 40 anos, por James Enstrom e Geoffrey Kabat para a Sociedade Americana de Câncer através da observação de 35 mil não fumantes que conviviam diariamente com fumantes. Resultados? Repito: um mito é um mito é um mito.
Mas a ideologia é a ideologia é a ideologia. De vez em quando, afirmo que alguns traços nazistas sobreviveram a 1945. Sou insultado. Não respondo. Basta olhar em volta para perceber que algumas das nossas rotinas médicas mais básicas teriam agradado ao tio Adolfo e à sua busca de perfeição terrena. Exemplos? Certas formas de eugenia "respeitável", praticadas por milhões de pessoas quando recebem uma má ecografia. Ou a demonização absoluta que o fumante moderno conhece nos Estados Unidos. Na Europa. E agora, hélas, em São Paulo.
Leio a legislação antifumo do Estado de São Paulo e reconheço a natureza totalitária dela, novamente dominada por uma ideia iníqua de perfeição física.
Tudo começa pela elevação da mentira a dogma: o dogma de que "fumo passivo" é um perigo fatal para terceiros. O dogma não é apenas fantasioso; é também perigoso, porque estabelece de imediato uma divisão moral entre os agentes da corrupção (os fumantes) e as vítimas inocentes (os abstêmios). É só substituir "fumante" por "judeu"; e "abstêmio" por "ariano" para regressar a 1933.
E regressar a 1933 é regressar a um mundo que desprezava a liberdade individual com especial ferocidade. A lei antifumo cumpre esse propósito. Proibir o fumo em lugares fechados, como bares ou restaurantes, é um ataque à propriedade privada e à liberdade de cada proprietário decidir que tipo de clientes deseja acolher no seu espaço. O mesmo raciocínio aplica-se aos clientes, impedidos de decidir livremente onde desejam ser acolhidos.
Mas o melhor da lei vem no policiamento. Imitando as piores práticas das sociedades fechadas, a lei promove a delação como forma de convivência social. Por telefone ou pela internet, cada cidadão é convidado a ser um vigilante do vizinho, denunciando comportamentos "desviantes". Isso não é regressar a 1933. É, no mínimo, um regresso à Rússia de 1917. Se juntarmos ao quadro uma verdadeira "polícia sanitária" que ataca à paisana, é possível concluir que o espírito KGB emigrou para o Brasil.
Finalmente, lembremos o essencial: os extremismos políticos só sobrevivem em sociedades cúmplices, ou pelo menos indiferentes aos extremistas. Será São Paulo esse tipo de sociedade?
Parece. A última pesquisa Datafolha é sinistra: a esmagadora maioria dos paulistas (88%) aprova a lei antifumo. Só 10% se opõem a ela. Só 2% lhe são indiferentes. Mais irônico é olhar para os fumantes: depois de anos e anos de propaganda e desumanização, eles olham-se no espelho, sentem o clássico nojo de si próprios e até concordam com a lei (77%). Razão tinha Karl Kraus quando afirmava, na Viena de inícios do século, que o antissemitismo era tão normal que até os judeus o praticavam. Péssimo presságio.

João Pereira Coutinho (Folha de S. Paulo, 18 de agosto de 2009)

O Grito. Munch 1893.



Escrito por lorena martins às 15h43
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

As freiras feias sem Deus

O QUE MOVE as pessoas, em meio a tantos problemas, a dedicar tamanha energia para reprimir o uso do tabaco? Resposta: o impulso fascista moderno.
Proteger não fumantes do tabaco em espaços públicos fechados é justo. Minha objeção contra esta lei se dá em outros dois níveis: um mais prático e outro mais teórico.
O prático diz respeito ao fato de ela não preservar alguns poucos bares e restaurantes livres para fumantes, sejam eles consumidores ou trabalhadores do setor. E por que não? Porque o que move o legislador, o fiscal e o dedo-duro é o gozo típico das almas mesquinhas e autoritárias. Uma espécie de freiras feias sem Deus.
O teórico fala de uma tendência contemporânea, que é o triste fato de a democracia não ser, como pensávamos, imune à praga fascista.
A tendência da democracia à lógica tirânica da saúde já havia sido apontada por Tocqueville (século 19). Dizia o conde francês que a vocação puritana da democracia para a intolerância para com hábitos "inúteis" a levaria a odiar coisas como o álcool e o tabaco, entre outras possibilidades.
Odiaremos comedores de carne? Proprietários de dois carros? Que tal proibir o tabaco em casa em nome do pulmão do vizinho? Ou uma campanha escolar para estimular as crianças a denunciar pais fumantes? Toda forma de fascismo caminhou para a ampliação do controle da vida mínima. As freiras feias sem Deus gozariam com a ideia de crianças tão críticas dos maus hábitos.
A associação do discurso científico ao constrangimento do comportamento moral, via máquina repressiva do Estado, é típica do fascismo. Se comer carne aumentar os custos do Ministério da Saúde, fecharemos as churrascarias? Crianças diagnosticadas cegas ainda no útero significariam uma economia significativa para a sociedade. Vamos abortá-las sistematicamente? O eugenista, o adorador da vida cientificamente perfeita, não se acha autoritário, mas, sim, redentor da espécie humana.
E não me venha dizer que no "Primeiro Mundo" todo o mundo faz isso, porque não sou um desses idiotas colonizados que pensam que o "Primeiro Mundo" seja modelo de tudo. Conheço o "Primeiro Mundo" o suficiente para não crer em bobagens desse tipo.
O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô.

Luiz Felipe Pondé é colunista da Ilustrada



Escrito por lorena martins às 17h53
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

Poema

Ouvi falar de um homem
que dizia palavras com tal beleza
que bastava ele pronunciar os nomes
e as mulheres se entregavam a ele.

Se estou mudo diante de seu corpo
enquanto o silêncio floresce como tumores em nossos lábios
é porque ouço um homem subir as escadas
e limpar a garganta atrás de nossa porta.

Leonard Cohen

Exposição sobre Serge Gainsbourg agora no SESC Paulista. Delícia.



Escrito por lorena martins às 22h40
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

A Terceira Via

Jonathan me traiu com uma mulher
que não sofreu por ele
um terço do que eu sofri;
uma mulher turista espairecendo na Europa.
Jonathan é bastante tolo.
Estou sem saber se me mudo
para alguém mais ladino,
se espero Jonathan crescer.
Sem desgastar-me, sem gastar um tostão
o moço oferece-me pensamentos diários
com irresistível margem de perigos:
posso ficar tísica,
posso engordar,
posso entender de física,
posso jejuar
produzindo sua imagem na hora mais quente do dia.
Ismália me diz: 'Deus é um tijolo,
está aqui no nariz do meu cachorro.
Eu sou puro pecado'.
E imediatamente come docinho de aletria
com descansada certeza:
'Irei salvar-me porque Deus me ama'.
Não tenho o peito de Ismália
pra chegar perto de Deus.
Por isso fico granindo
e chego perto dos homens,
cheiro a camisa de Pedro,
o travo ingrato de Jonathan.
Todos viram que minha boca secou
quando disse muito prazer e desfaleci na cadeira.
O amor me envergonha.
Da geração da cachaça,
do é ou não é,
do ou casa ou vai pro convento,
não posso ser gay e dizer: depende,
vou ver, vou tratar do seu caso.
Comigo é na pândega
ou na santidade mais rigorosa.
Eu não servia para ter nascido,
para comer com boca, andar com pés
e Ter dentro de mim oito metros de tripas
desejando a filigrana de tua íris
cuja cor não digo para não estragar tudo
e novamente ficar coberta de ridículo.
Sei agora, a duras penas,
porque os santos levitam.
Sem o corpo a alma de um homem não goza.
Por isso Cristo sofreu no corpo a Sua paixão,
adoro Cristo na Cruz.
Meu desejo é atômico,
minha unha é como meu sexo.
Meu pé te deseja, meu nariz.
Meu espírito – que é alento de Deus em mim – te deseja
pra fazer não sei o quê com você.
Não é beijar, nem abraçar, muito menos casar
e ter um monte de filhos.
-   Francisco e o Serafim, abrasados -,
e eu para todo o sempre
olhando, olhando, olhando... 

Adélia Prado

Botticelli



Escrito por lorena martins às 12h16
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

Tenho o nome de uma flor

Tenho o nome de uma flor
quando me chamas.
Quando me tocas,
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei.
 
Eugénio de Andrade

Helena Almeida.



Escrito por lorena martins às 13h13
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

Sobre os cotovelos a água olha o dia sobre

os cotovelos. batem folhas da luz
um pouco abaixo do silêncio. Quero saber
o nome de quem morre: o vestido de ar
ardendo, os pés e movimento no meio
do meu coração. O nome: madeira que arqueja, seca desde o fundo
do seu tempo vegetal coarctado.
E, ao abrir-se a toalha viva, o
nome: a beleza a voltar-se para trás, com seus
pulmões de algodão queimando.
Uma serpente de ouro abraça os quadris
negros e molhados. E a água que se debruça
olha a loucura com seu nome: indecifrável cego

Herberto Helder

Herbeto por José Rodrigues



Escrito por lorena martins às 15h13
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

Franciszek Starowieyski.



Escrito por lorena martins às 16h08
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

Solamente

ya comprendo la verdad

estalla en mis deseos

y mis desdichas
en mis desencuentros
en mis desequilibrios
en mis delirios

ya comprendo la verdad

ahora
a buscar la vida

Alejandra Pizarnik

Manuel Alvarez Bravo



Escrito por lorena martins às 02h11
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

gigantes.

"Às vezes entro pela noite, passo tempo sem fim acordando lembranças. Outras vezes não me ajeito com esta ocupação nova. Anteontem e ontem, por exemplo, foram dias perdidos. Tentei debalde canalizar para termo razoável esta prosa que se derrama como a chuva da serra, e o que me apareceu foi um grande desgosto. Desgosto e a vaga compreensão de muitas coisas que sinto. Sou um homem arrasado. Doença? Não. Gozo perfeita saúde. O que estou é velho. Cinqüenta anos pelo S. Pedro. Cinqüenta anos perdidos, cinqüenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta cascaespessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada. Cinqüenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê! Comer e dormir como um porco! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! Que porcaria! Não é bom vir o diabo e levar tudo?Sol, chuva, noites de insônia, cálculos, combinações, violências, perigos – e nem sequer me resta a ilusão de ter realizado obra proveitosa. O jardim, a horta, o pomar – abandonados; os marrecos de Pequim – mortos; o algodão, a mamona – secando. E as cercas dos vizinhos, inimigos ferozes, avançam.Está visto que, cessando esta crise, a propriedade se poderia reconstituir e voltar a ser o que era. A gente do eito se esfalfaria de sol a sol, alimentada com farinha de mandioca ebarbatanas de bacalhau; caminhões rodariam novamente, conduzindo mercadorias para a estrada de ferro; a fazenda se encheria outra vez de movimento e rumor.Mas para quê? Para quê? Não me dirão? Nesse movimento e nesse rumor haverá muito choro e haveria muita praga. As criancinhas, nos casebres úmidos e frios, inchariam roídas pela verminose. E Madalena não estaria aqui para mandar-lhes remédioe leite. Os homens e as mulheres seriam animais tristes. Coloquei-me acima da minha classe, creio que me elevei bastante. Como lhes disse, fui guia de cego, vendedor dedoce e trabalhador alugado. Estou convencido de que nenhum desses ofícios me daria os recursos intelectuais necessários para engendrar esta narrativa. Magra, de acordo, mas em momentos de otimismo suponho que há nela pedaços melhores que a literatura do Gondim. Sou, pois, superior a mestre Caetano e a outros semelhantes. Considerando, porém, que os enfeites do meu espírito se reduzem a farrapos de conhecimentos apanhados sem escolha e mal cosidos, devo confessar que a superioridade que me envaidece é bem mesquinha."

em São Bernardo (1934), de Graciliano Ramos

imagens: São Bernardo (1972), de Leon Hirszman. Othon Bastos i-n-f-e-r-n-a-l.

(o filme foi restaurado pela cinemateca brasileira e lançado em DVD, agora dá pra tê-lo em casa. sensacional.)

 



Escrito por lorena martins às 15h12
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 I

amnésia
que por vezes
me acomete
          rasteira
uma morte temporária

 

da veia a faca

do meu

          veneno

gotas
pintam
partituras
no chão do banheiro.      

 

 



Escrito por lorena martins às 15h50
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

fudida
desgostosa da vida
chorar, chorar, chorar,
bebendo stella artois
 
 
maria gladys

com Joel Barcellos em  A Agonia (1976), de Júlio Bressane

 



Escrito por lorena martins às 12h13
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 
MENDIGA VOZ

Y aún me atrevo a amar
el sonido de la luz en una hora muerta,
el color del tiempo en un muro abandonado.
 
En mi mirada lo he perdido todo.
Es tan lejos pedir. Tan cerca saber que no hay.

Alejandra Pizarnik

anna. cría cuervos, de carlos saura (1975)



Escrito por lorena martins às 12h23
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

pela manhã eu vi

à espreita no sofá

a serpente.

betty blue (1986)



Escrito por lorena martins às 10h17
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

aflitos os pássaros
parapeitos
e fins de noite
meditam sob o céu
cobre
o manto de chuva
que tímido atrás
da cortina
você não vê.



Escrito por lorena martins às 14h14
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

sombras rosas sombras

Sob um céu estranho
sombras rosas
sombras
numa terra estranha
entre rosas e sombras
numa água estranha
a minha sombra

Ingeborg Bachmann
Tradução João Barrento
 
liv ullman
 
max von sydow
 
em a hora do lobo (1968), de ingmar bergman


Escrito por lorena martins às 23h16
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

Tempo do coração, vale
os sonhadores no lugar
dos ponteiros da meia-noite

alguns falam no silêncio, alguns se calam
alguns seguiram seu caminho
banidos e perdidos
estavam em casa

vós, catedrais

vós, catedrais não vistas
vós, rios inaudíveis
vós, relógios intrínsecos em nós.

Paul Celan

Berlin Alexanderplatz (1980), de Rainer Werner Fassbinder.

 



Escrito por lorena martins às 12h25
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

 



Escrito por lorena martins às 17h25
[] [envie esta mensagem
] []


 

 



Escrito por lorena martins às 10h39
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

    Poesia

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Carlos Drummond de Andrade

 



Escrito por lorena martins às 12h27
[] [envie esta mensagem
] []


 

 
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]