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BRASIL, Mulher, French, English Outro - lorena.martins@gmail.com
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lançamento do meu primeiro livro, "água para viagem"
dia 31 de maio, no rio. em junho lançarei em sp, em porto alegre e em brasília. postarei as datas aqui. conto com a presença de vocês! :* (emoção). 
Escrito por lorena martins às 17h06
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Cuatro Boleros Maroqueros 1 Con las últimas lluvias te largaste y entonces yo creí que para la casa mas aburrida del suburbio no habrian primaveras ni otoños ni inviernos ni veranos. Pero no. Las estaciones se cumplieran como estaban previstas en cualquier almanaque Y la dueña de la casa y el cartero no me volvieron a preguntar por ti. 2 Para olvidarme de ti y no mirarte miro el viaje de las moscas por el aire Gran Estilo Gran Velocidad Gran Altura. 3 Para olvidarte me agarro al primer tren y salgo al campo Imposible Y es que tu ausencia tiene algo de Flora de Fauna de Pic Nic. 4 No me aumentaron el sueldo por tu ausencia sin embargo el frasco de Nescafé me dura el doble el triple las hojas de afeitar. Antonio Cisneros

2046, de Wong Kar-Wai
Escrito por lorena martins às 14h17
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ano que termina areia cheia conchas mínimas Alice Ruiz 
Eduardo Barrox
Escrito por lorena martins às 14h20
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para m.
I como um mágico escondidoatrás dos livros meu amor me olha com gosto de lágrima
do fim de tarde vazio restam as pernas cruzadas sobre o vaso e as flores enroscadas pétala a pétala na pele do meu amor que me fita triste a mão macia apoiada no ventre de um verso. meu demorado amor, detendo-se sobre o meu colo com sua saliva o cheiro áspero e eterno da sua saliva.
Aleksandr Ródtchenko
Escrito por lorena martins às 14h45
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frasqueira
não me emocionam mais os surtos heróicos de marina para segurar o que já vai arranhando as unhas nas paredes do precipício e deixo cair os espasmos de saudade que marina sente do que perdeu porque não cuidou não me emocionam mais ah, a juventude, a de marina segue relapsa fazendo de conta como nos livros infantis e aquela fantasia não me emociona mais uma pena meu coração parou de bater na tecla que marina chama de destino e agora o que marina chama de amor eu não atendo mais. bruna beber
está no livro balés a versão final desse poema:
não me emociona o heroísmo o que arranha as unhas nas paredes do precipício deixo cair a saudade que se sente o faz de conta, aquela fantasia não me emocionam mais meu coração parou de bater na tecla que você chama de destino e o que você chama de amor eu não atendo mais

Gerhard Ricther - Tulips, 1995, óleo sobre tela
Anton Henning - Pin.Up Nº 148, 2009, óleo sobre tela. São dois (que eu amei conhecer) dos artistas presentes na mostra Se não neste tempo, que está em cartaz no MASP. Adorei.
Escrito por lorena martins às 17h34
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SOBRE UMA FOTO DE EDWARD WESTON
Nua, anônima, 1923. Vinte anos presumíveis branca, em decúbito dorsal, com o tronco arqueado (talvez pela respiração presa no instante único da foto, ou melhor: foi a foto que a sustou, a suspendeu para sempre), e mais o cheiro, parado do grosso cabelo preto do púbis do pouco que aparece nas axilas não raspadas que saboreio, degusto, engulo em seco sinto o gosto, agora, porque a pele do corpo é de hoje, setenta e oito anos depois e brilha, lisa, morena de sol, sem nenhum sinal de vida, porém. Teus olhos fechados te encerram. Armando Freitas Filho 
Edward Weston
Escrito por lorena martins às 12h00
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lunes com poemas interrompa me vestindo a tarde com tuas vontades noturnas 
Pintura de Felipe Ehrenberg, cuja lindíssima retrospectiva da obra, MANCHÚRIA, pode ser experimentada até 31 de outubro na Estação Pinacoteca, em SP. Imperdível!
Escrito por lorena martins às 15h48
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O que se foi O que se foi se foi. Se algo ainda perdura É só a amarga marca Na paisagem escura. Se o que se foi regressa, Traz um erro fatal: Falta-lhe simplesmente Ser real. Portanto, o que se foi, Se volta, é feito morte. Então por que me faz O coração bater tão forte? Ferreira Gullar em seu novo livro Em alguma parte alguma. A edição é um fiasco, mas o livro é belo, é claro. 
Otto Dix
Escrito por lorena martins às 16h05
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London I wander through each chartered street, Near where the chartered Thames does flow, And mark in every face I meet, Marks of weakness, marks of woe. In every cry of every man, In every infant's cry of fear, In every voice, in every ban, The mind-forged manacles I hear: How the chimney-sweeper's cry Every blackening church appals, And the hapless soldier's sigh Runs in blood down palace-walls. But most, through midnight streets I hear How the youthful harlot's curse Blasts the new-born infant's tear, And blights with plagues the marriage-hearse. William Blake Vagueio por estas ruas violadas, Do violado Tamisa ao derredor, E noto em todas as faces encontradas Sinais de fraqueza e sinais de dor.
Em toda a revolta do Homem que chora, Na Criança que grita o pavor que sente, Em todas as vozes na proibição da hora, Escuto o som das algemas da mente.
Dos Limpa-chaminés o choro triste As negras Igrejas atormenta; E do pobre Soldado o suspiro que persiste Escorre em sangue p'los Palácios que sustenta.
Mas nas ruas da noite aquilo que ouço mais É da jovem Prostituta o seu fadário, Maldiz do tenro Filho os tristes ais, E do Matrimónio insulta o carro funerário.
Tradução de Hélio Osvaldo Alves 
Ana Lucia Mariz. Foto que integra a mostra "Mind the Gap", na Ímã Foto Galeria, em São Paulo. (saudades deu de lá.)
Escrito por lorena martins às 13h43
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APEDREJEMOS AS ADÚLTERAS vamos sequestrar as mulheres do Irã enquanto seus maridos dormem bêbados depois da última noitada vamos nos casar com as mulheres do Irã e criar seus filhos — vamos deixar os homens do Irã sozinhos batendo punhetas nervosas ou fodendo uns aos outros — vamos amar as mulheres do Irã vamos ser traídos pelas mulheres do Irã vamos perdoar as mulheres do Irã e ser felizes com as mulheres do Irã vamos sequestrar as mulheres do Brasil Fabrício Corsaletti 
Iman Maleki
Escrito por lorena martins às 11h26
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Exilio
A Raúl Gustavo Aguirre
Esta manía de saberme ángel, sin edad, sin muerte en qué vivirme, sin piedad por mi nombre ni por mis huesos que lloran vagando.
¿Y quién no tiene un amor? ¿Y quién no goza entre amapolas? ¿Y quién no posee un fuego, una muerte, un miedo, algo horrible, aunque fuere con plumas, aunque fuere con sonrisas?
Siniestro delirio amar a una sombra. La sombra no muere. Y mi amor sólo abraza a lo que fluye como lava del infierno: una logia callada, fantasmas en dulce erección, sacerdotes de espuma, y sobre todo ángeles, ángeles bellos como cuchillos que se elevan en la noche y devastan la esperanza. Alejandra Pizarnik

Ed Templeton
Escrito por lorena martins às 17h38
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picareta cultural 2010 - off flip meu querido caio carmacho realiza novamente a sua picareta cultural. quem for pra flip, já sabe. imperdível! 
Escrito por lorena martins às 14h26
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se eu pudesse provar o meu amor lambê-lo-ia. 
Anna Karina em Une femme est une femme, de Godard (1961)
Escrito por lorena martins às 20h49
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MADRUGADA Do fundo de meu quarto, do fundo de meu corpo clandestino ouço (não vejo) ouço crescer no osso e no músculo da noite a noite a noite ocidental obscenamente acesa sobre meu país dividido em classes Ferreira Gullar estará neste final de semana em São Francisco Xavier-SP, onde participará do III Festival da Mantiqueira. Na segunda-feira, o poeta partirá para Monteiro Lobato, São Bento do Sapucaí, Pindamonhangaba e Guaratinguetá, para participar do programa Viagem Literária. A programação completa do Festival e do Viagem Literária você encontra no www.cultura.sp.gov.br. Imperdível!
Escrito por lorena martins às 16h21
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Aeromoça E uma aeromoça mandou apagar todos os apetrechos de fumo E não especificou: cigarro, charuto ou cachimbo. E eu respondi no meu coração: você tem belos apetrechos de amor, E também não especifiquei. E ela disse que eu apertasse o cinto e me afivelasse À poltrona, e eu respondi: Quero que todas as fivelas na minha vida tenham a forma da sua boca. E ela disse: Você quer café agora ou mais tarde Ou nunca. E passou por mim, Alta de tocar o céu. A pequena cicatriz no alto do seu braço Indicava que jamais contrairia varíola Seus olhos indicavam que jamais voltaria a se apaixonar. Pertence ao partido conservador Daqueles que só têm um grande amor na vida.
Yehuda Amichai Tradução: Monique Balbuena
Paul Klee: Sommeil d'hiver, 1938.
Escrito por lorena martins às 13h45
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2. I go where I love and where I am loved, into the snow; I go to the things I love with no thought of duty or pity; I go where I belong, inexorably, as the rain that has lain long in the furrow; I have given or would have given life to the grain; but if it will not grow or ripen with the rain of beauty, the rain will return to the cloud; the harvester sharpens his steel on the stone; but this is not our field, we have not sown this; pitiless, pitiless, let us leave The-place-of-a-skull to those who have fashioned it. H.D. or Hilda Doolittle in The Flowering of the Rod Adonde amo y soy amada, hacia la nieve, me dirijo; voy a las cosas que amo sin sentir obligación ni compasión; voy adonde pertenezco, inexorablemente, como lluvia hace tiempo retenida en el surco; he dado o hubiera dado vida al grano; mas si no crece o madura com la lluvia de la belleza, volverá la lluvia a la nube; el recolector afila su acero en la piedra; pero esto no es nuestro terreno; no lo hemos sembrado nosotros; sin compasión, sin compasión, dejemos El-lugar-de-la-calavera a aquellos que lo han modelado. Tradução de Natalia Carbajosa 
| J.M.W. Turner : Snow Storm-Steam-Boat off a Harbour's Mouth (1842) | | | |
Escrito por lorena martins às 18h49
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escorre-me o cansaço escuro dos cabelos à laje imunda minha fala derramada. arrasto camisolas e divãs respiro próximo à janela pequenos infernos rachados às pressas. visto violinos como se fossem troncos e dos braços apunhalados pudesse ver arrepiarem os pêlos. corrijo as pernas entre as cortinas escondo os farelos do meu dia desfaço flores à porta rouca encostada tramando feixes de luz. [Este poema integra o meu primeiro livro, água para viagem, que sairá em 2011. Em breve mais notícias.] 
Jan Smith [ De 9 de março a 1º de abril, a Galeria Eduardo H Fernandes recebe AUSÊNCIA E ABANDONO, exposição de fotos de Smith.]
Escrito por lorena martins às 15h47
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O teu rosto inclinado pelo vento; a feroz brancura dos teus dentes; as mãos, de certo modo, irresponsáveis, e contudo sombrias, e contudo transparentes; o triunfo cruel das tuas pernas, colunas em repouso se anoitece; o peito raso, claro, feito de água; a boca sossegada onde apetece Navegar ou cantar, ou simplesmente ser a cor dum fruto, o peso duma flor; as palavras mordendo a solidão, atravessadas de alegria e de terror; são a grande razão, a única razão. Eugénio de Andrade 
Tous les matins du monde (Todas as manhãs do mundo), de Alain Corneau, 1990.
Escrito por lorena martins às 18h59
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O que eu quero de você não quero voltar para casa no seu abraço não busco o que perdi nunca pensei fazê-la cúmplice da minha solidão nem me passou pela cabeça jogar sujo com você - você é o vento quente que me acompanha o enigma que não precisa ser decifrado - de você eu quero apenas um filhote de lobo um filhote de lobo para morder minha mão direita quando eu estiver no escuro depois que o amor acabar
Fabrício Corsaletti 
Peter Falk e Gena Rowlands em Uma Mulher sob Influência (1974), de John Cassavetes
Escrito por lorena martins às 11h35
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REDUNDÂNCIAS
Ter medo da morte é coisa dos vivos o morto está livre de tudo o que é vida Ter apego ao mundo é coisa dos vivos para o morto não há (não houve) raios rios risos E ninguém vive a morte quer morto quer vivo mera noção que existe só enquanto existo Ferreira Gullar 
Goya
Escrito por lorena martins às 19h19
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o amor deixa marcas estranhas indecifráveis ideogramas pequenas vinganças dormindo sem paz em cama de pétalas e velhos jornais cicatrizes discretas e outros sinais como um vício comum como outro qualquer o amor deixa marcas estranhas quando deixa de ser poeta arrudA 
araquém alcântara.
Escrito por lorena martins às 15h15
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para bóris marin
e com a mesma gravidade com que as fotos perdem o foco com que o olhar de minha mãe condena e o fato de todos nós sorrirmos para o homem que descansa sua bengala e sua consciência naquelas tardes de verão ninguém ousaria invadir as casas.
A Fita Branca (2009), de Haneke
Escrito por lorena martins às 01h00
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Soneto (Dezembro de 1937) Aceitarás o amor como eu o encaro?... ... Azul bem leve, um nimbo, suavemente Guarda-te a imagem, como um anteparo Contra estes móveis de banal presente. Tudo o que há de melhor e de mais raro Vive em teu corpo nu de adolescente, A perna assim jogada e o braço, o claro Olhar preso no meu, perdidamente. Não exijas mais nada. Não desejo Também mais nada, só te olhar, enquanto A realidade é simples, e isto apenas. Que grandeza... a evasão total do pejo Que nasce das imperfeições. O encanto Que nasce das adorações serenas. Mário de Andrade (reencontrei o mário lá no blog da bruna. adorei e trouxe pra cá.)  A odalisca de Matisse.
Escrito por lorena martins às 14h23
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nem todos os domingos resistem aos gatos assustados guardados nos livros de cortázar. 
Escrito por lorena martins às 13h51
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picareta cultural 2009 ! 
meu xodó caio carmacho picareteando de novo. imperdível!
Escrito por lorena martins às 15h06
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A ETERNIDADE Arthur Rimbaud Tradução: Augusto de Campos De novo me invade. Quem? – A Eternidade. É o mar que se vai Como o sol que cai. Alma sentinela, Ensina-me o jogo Da noite que gela E do dia em fogo. Das lides humanas, Das palmas e vaias, Já te desenganas E no ar te espraias. De outra nenhuma, Brasas de cetim, O Dever se esfuma Sem dizer: enfim. Lá não há esperança E não há futuro. Ciência e paciência, Suplício seguro. De novo me invade. Quem? – A Eternidade. É o mar que se vai Com o sol que cai. L'ETERNITÉ
Elle est retrouvée. Quoi? – L'Eternité. C'est la mer allée Avec le soleil. Âme sentinelle, Murmurons l'aveu De la nuit si nulle Et du jour en feu. Des humains suffrages, Des communs élans Là tu te dégages Et voles selon. Puisque de vous seules, Braises de satin, Le Devoir s'exhale Sans qu'on dise: enfin. Là pas d'espérance, Nul orietur. Science avec patience, Le supplice est sûr. Elle est retrouvée. Quoi? – L'Eternité. C'est la mer allée Avec le soleil. [Mai 1872] 
Gustav Klimt : Love (1895)
Escrito por lorena martins às 17h16
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FOTOGRAFIA DO 11 DE SETEMBRO Pularam dos andares em chamas – Um, dois, alguns outros, Acima, abaixo. A fotografia os manteve em vida. E agora os preserva Acima da terra rumo à terra. Ainda estão completos, Cada um com seu próprio rosto E sangue bem guardado. Há tempo suficiente Para cabelos voarem, Para chaves e moedas Caírem dos bolsos. Permanecem nos domínios do ar, Na esfera de lugares que acabam de se abrir. Só posso fazer duas coisas por eles – Descrever este vôo E não acrescentar o último verso.
Wislawa Szymborska

Oscar Bony
Escrito por lorena martins às 18h09
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I Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca Austera. Toma-me AGORA, ANTES Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes Da morte, amor, da minha morte, toma-me Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute Em cadência minha escura agonia. Tempo do corpo este tempo, da fome Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento, Um sol de diamante alimentando o ventre, O leite da tua carne, a minha Fugidia. E sobre nós este tempo futuro urdindo Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo. Te descobres vivo sob um jogo novo. Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor, Antes do muro, antes da terra, devo Devo gritar a minha palavra, uma encantada Ilharga Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza. II Tateio. A fronte. O braço. O ombro. O fundo sortilégio da omoplata. Matéria-menina a tua fronte e eu Madurez, ausência nos teus claros Guardados. Ai, ai de mim. Enquanto caminhas Em lúcida altivez, eu já sou o passado. Esta fronte que é minha, prodigiosa De núpcias e caminho É tão diversa da tua fronte descuidada. Tateio. E a um só tempo vivo E vou morrendo. Entre terra e água Meu existir anfíbio. Passeia Sobre mim, amor, e colhe o que me resta: Noturno girassol. Rama secreta. (...) Hilda Hilst [Júbilo memória noviciado da paixão (1974)] 
Escrito por lorena martins às 16h20
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Até tu, São Paulo? A SÉRIE "Mad Men" ainda não estreou no Brasil. Lamento. Melhor é impossível. "Mad Men" é o retrato perfeito dos publicitários da Madison Avenue na Nova York sofisticada de 1960. Mas é mais do que isso. Um fresco sobre a grande transição americana: do aburguesamento dos "fifties" à contracultura dos "sixties". Do tédio à lixeira. Um pormenor, porém, não deixa de causar espanto entre os filistinos: o fumo. Em "Mad Men", toda a gente fuma com uma naturalidade que nos parece herética. Dentro dos edifícios, fora dos edifícios. Mães, pais. Patrões. Empregados. E médicos, é claro, a começar por um ginecologista que segura o cigarro com uma mão e faz o exame com a outra. Equilibrismo puro. Tanto fumo não deveria espantar. Pessoalmente, ainda recordo o tempo heroico em que o meu avô me levava ao cinema e fumava, em plena sala, do princípio ao fim. E, historicamente, "Mad Men" está na viragem. Em 1950, Richard Doll publicava o primeiro grande ensaio científico sobre a relação direta entre fumo (ativo) e doença. Só em 1970 chegou o mito do "fumo passivo". Digo "mito" e digo bem. Ainda está para aparecer o primeiro estudo cientificamente rigoroso capaz de mostrar uma relação sustentada entre "fumo passivo" e câncer. O que não significa que não existam estudos sobre essa hipótese. Christopher Booker, um especialista sobre as nossas histerias modernas, normalmente lembra dois. Os maiores e mais recentes. O primeiro foi realizado pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, da Organização Mundial de Saúde. O segundo foi dirigido, durante 40 anos, por James Enstrom e Geoffrey Kabat para a Sociedade Americana de Câncer através da observação de 35 mil não fumantes que conviviam diariamente com fumantes. Resultados? Repito: um mito é um mito é um mito. Mas a ideologia é a ideologia é a ideologia. De vez em quando, afirmo que alguns traços nazistas sobreviveram a 1945. Sou insultado. Não respondo. Basta olhar em volta para perceber que algumas das nossas rotinas médicas mais básicas teriam agradado ao tio Adolfo e à sua busca de perfeição terrena. Exemplos? Certas formas de eugenia "respeitável", praticadas por milhões de pessoas quando recebem uma má ecografia. Ou a demonização absoluta que o fumante moderno conhece nos Estados Unidos. Na Europa. E agora, hélas, em São Paulo. Leio a legislação antifumo do Estado de São Paulo e reconheço a natureza totalitária dela, novamente dominada por uma ideia iníqua de perfeição física. Tudo começa pela elevação da mentira a dogma: o dogma de que "fumo passivo" é um perigo fatal para terceiros. O dogma não é apenas fantasioso; é também perigoso, porque estabelece de imediato uma divisão moral entre os agentes da corrupção (os fumantes) e as vítimas inocentes (os abstêmios). É só substituir "fumante" por "judeu"; e "abstêmio" por "ariano" para regressar a 1933. E regressar a 1933 é regressar a um mundo que desprezava a liberdade individual com especial ferocidade. A lei antifumo cumpre esse propósito. Proibir o fumo em lugares fechados, como bares ou restaurantes, é um ataque à propriedade privada e à liberdade de cada proprietário decidir que tipo de clientes deseja acolher no seu espaço. O mesmo raciocínio aplica-se aos clientes, impedidos de decidir livremente onde desejam ser acolhidos. Mas o melhor da lei vem no policiamento. Imitando as piores práticas das sociedades fechadas, a lei promove a delação como forma de convivência social. Por telefone ou pela internet, cada cidadão é convidado a ser um vigilante do vizinho, denunciando comportamentos "desviantes". Isso não é regressar a 1933. É, no mínimo, um regresso à Rússia de 1917. Se juntarmos ao quadro uma verdadeira "polícia sanitária" que ataca à paisana, é possível concluir que o espírito KGB emigrou para o Brasil. Finalmente, lembremos o essencial: os extremismos políticos só sobrevivem em sociedades cúmplices, ou pelo menos indiferentes aos extremistas. Será São Paulo esse tipo de sociedade? Parece. A última pesquisa Datafolha é sinistra: a esmagadora maioria dos paulistas (88%) aprova a lei antifumo. Só 10% se opõem a ela. Só 2% lhe são indiferentes. Mais irônico é olhar para os fumantes: depois de anos e anos de propaganda e desumanização, eles olham-se no espelho, sentem o clássico nojo de si próprios e até concordam com a lei (77%). Razão tinha Karl Kraus quando afirmava, na Viena de inícios do século, que o antissemitismo era tão normal que até os judeus o praticavam. Péssimo presságio. João Pereira Coutinho (Folha de S. Paulo, 18 de agosto de 2009) 
O Grito. Munch 1893.
Escrito por lorena martins às 15h43
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As freiras feias sem Deus
O QUE MOVE as pessoas, em meio a tantos problemas, a dedicar tamanha energia para reprimir o uso do tabaco? Resposta: o impulso fascista moderno. Proteger não fumantes do tabaco em espaços públicos fechados é justo. Minha objeção contra esta lei se dá em outros dois níveis: um mais prático e outro mais teórico. O prático diz respeito ao fato de ela não preservar alguns poucos bares e restaurantes livres para fumantes, sejam eles consumidores ou trabalhadores do setor. E por que não? Porque o que move o legislador, o fiscal e o dedo-duro é o gozo típico das almas mesquinhas e autoritárias. Uma espécie de freiras feias sem Deus. O teórico fala de uma tendência contemporânea, que é o triste fato de a democracia não ser, como pensávamos, imune à praga fascista. A tendência da democracia à lógica tirânica da saúde já havia sido apontada por Tocqueville (século 19). Dizia o conde francês que a vocação puritana da democracia para a intolerância para com hábitos "inúteis" a levaria a odiar coisas como o álcool e o tabaco, entre outras possibilidades. Odiaremos comedores de carne? Proprietários de dois carros? Que tal proibir o tabaco em casa em nome do pulmão do vizinho? Ou uma campanha escolar para estimular as crianças a denunciar pais fumantes? Toda forma de fascismo caminhou para a ampliação do controle da vida mínima. As freiras feias sem Deus gozariam com a ideia de crianças tão críticas dos maus hábitos. A associação do discurso científico ao constrangimento do comportamento moral, via máquina repressiva do Estado, é típica do fascismo. Se comer carne aumentar os custos do Ministério da Saúde, fecharemos as churrascarias? Crianças diagnosticadas cegas ainda no útero significariam uma economia significativa para a sociedade. Vamos abortá-las sistematicamente? O eugenista, o adorador da vida cientificamente perfeita, não se acha autoritário, mas, sim, redentor da espécie humana. E não me venha dizer que no "Primeiro Mundo" todo o mundo faz isso, porque não sou um desses idiotas colonizados que pensam que o "Primeiro Mundo" seja modelo de tudo. Conheço o "Primeiro Mundo" o suficiente para não crer em bobagens desse tipo. O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô. Luiz Felipe Pondé é colunista da Ilustrada 
Escrito por lorena martins às 17h53
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Poema
Ouvi falar de um homem que dizia palavras com tal beleza que bastava ele pronunciar os nomes e as mulheres se entregavam a ele.
Se estou mudo diante de seu corpo enquanto o silêncio floresce como tumores em nossos lábios é porque ouço um homem subir as escadas e limpar a garganta atrás de nossa porta.
Leonard Cohen 
Exposição sobre Serge Gainsbourg agora no SESC Paulista. Delícia.
Escrito por lorena martins às 22h40
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A Terceira Via Jonathan me traiu com uma mulher que não sofreu por ele um terço do que eu sofri; uma mulher turista espairecendo na Europa. Jonathan é bastante tolo. Estou sem saber se me mudo para alguém mais ladino, se espero Jonathan crescer. Sem desgastar-me, sem gastar um tostão o moço oferece-me pensamentos diários com irresistível margem de perigos: posso ficar tísica, posso engordar, posso entender de física, posso jejuar produzindo sua imagem na hora mais quente do dia. Ismália me diz: 'Deus é um tijolo, está aqui no nariz do meu cachorro. Eu sou puro pecado'. E imediatamente come docinho de aletria com descansada certeza: 'Irei salvar-me porque Deus me ama'. Não tenho o peito de Ismália pra chegar perto de Deus. Por isso fico granindo e chego perto dos homens, cheiro a camisa de Pedro, o travo ingrato de Jonathan. Todos viram que minha boca secou quando disse muito prazer e desfaleci na cadeira. O amor me envergonha. Da geração da cachaça, do é ou não é, do ou casa ou vai pro convento, não posso ser gay e dizer: depende, vou ver, vou tratar do seu caso. Comigo é na pândega ou na santidade mais rigorosa. Eu não servia para ter nascido, para comer com boca, andar com pés e Ter dentro de mim oito metros de tripas desejando a filigrana de tua íris cuja cor não digo para não estragar tudo e novamente ficar coberta de ridículo. Sei agora, a duras penas, porque os santos levitam. Sem o corpo a alma de um homem não goza. Por isso Cristo sofreu no corpo a Sua paixão, adoro Cristo na Cruz. Meu desejo é atômico, minha unha é como meu sexo. Meu pé te deseja, meu nariz. Meu espírito – que é alento de Deus em mim – te deseja pra fazer não sei o quê com você. Não é beijar, nem abraçar, muito menos casar e ter um monte de filhos. - Francisco e o Serafim, abrasados -, e eu para todo o sempre olhando, olhando, olhando... Adélia Prado 
Botticelli
Escrito por lorena martins às 12h16
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Tenho o nome de uma flor Tenho o nome de uma flor quando me chamas. Quando me tocas, nem eu sei se sou água, rapariga, ou algum pomar que atravessei. Eugénio de Andrade 


Helena Almeida.
Escrito por lorena martins às 13h13
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Sobre os cotovelos a água olha o dia sobre os cotovelos. batem folhas da luz um pouco abaixo do silêncio. Quero saber o nome de quem morre: o vestido de ar ardendo, os pés e movimento no meio do meu coração. O nome: madeira que arqueja, seca desde o fundo do seu tempo vegetal coarctado. E, ao abrir-se a toalha viva, o nome: a beleza a voltar-se para trás, com seus pulmões de algodão queimando. Uma serpente de ouro abraça os quadris negros e molhados. E a água que se debruça olha a loucura com seu nome: indecifrável cego
Herberto Helder 
Herbeto por José Rodrigues
Escrito por lorena martins às 15h13
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Solamente
ya comprendo la verdad
estalla en mis deseos
y mis desdichas en mis desencuentros en mis desequilibrios en mis delirios
ya comprendo la verdad
ahora a buscar la vida
Alejandra Pizarnik 
Manuel Alvarez Bravo
Escrito por lorena martins às 02h11
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gigantes. "Às vezes entro pela noite, passo tempo sem fim acordando lembranças. Outras vezes não me ajeito com esta ocupação nova. Anteontem e ontem, por exemplo, foram dias perdidos. Tentei debalde canalizar para termo razoável esta prosa que se derrama como a chuva da serra, e o que me apareceu foi um grande desgosto. Desgosto e a vaga compreensão de muitas coisas que sinto. Sou um homem arrasado. Doença? Não. Gozo perfeita saúde. O que estou é velho. Cinqüenta anos pelo S. Pedro. Cinqüenta anos perdidos, cinqüenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta cascaespessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada. Cinqüenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê! Comer e dormir como um porco! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! Que porcaria! Não é bom vir o diabo e levar tudo?Sol, chuva, noites de insônia, cálculos, combinações, violências, perigos – e nem sequer me resta a ilusão de ter realizado obra proveitosa. O jardim, a horta, o pomar – abandonados; os marrecos de Pequim – mortos; o algodão, a mamona – secando. E as cercas dos vizinhos, inimigos ferozes, avançam.Está visto que, cessando esta crise, a propriedade se poderia reconstituir e voltar a ser o que era. A gente do eito se esfalfaria de sol a sol, alimentada com farinha de mandioca ebarbatanas de bacalhau; caminhões rodariam novamente, conduzindo mercadorias para a estrada de ferro; a fazenda se encheria outra vez de movimento e rumor.Mas para quê? Para quê? Não me dirão? Nesse movimento e nesse rumor haverá muito choro e haveria muita praga. As criancinhas, nos casebres úmidos e frios, inchariam roídas pela verminose. E Madalena não estaria aqui para mandar-lhes remédioe leite. Os homens e as mulheres seriam animais tristes. Coloquei-me acima da minha classe, creio que me elevei bastante. Como lhes disse, fui guia de cego, vendedor dedoce e trabalhador alugado. Estou convencido de que nenhum desses ofícios me daria os recursos intelectuais necessários para engendrar esta narrativa. Magra, de acordo, mas em momentos de otimismo suponho que há nela pedaços melhores que a literatura do Gondim. Sou, pois, superior a mestre Caetano e a outros semelhantes. Considerando, porém, que os enfeites do meu espírito se reduzem a farrapos de conhecimentos apanhados sem escolha e mal cosidos, devo confessar que a superioridade que me envaidece é bem mesquinha." em São Bernardo (1934), de Graciliano Ramos 
imagens: São Bernardo (1972), de Leon Hirszman. Othon Bastos i-n-f-e-r-n-a-l. (o filme foi restaurado pela cinemateca brasileira e lançado em DVD, agora dá pra tê-lo em casa. sensacional.)
Escrito por lorena martins às 15h12
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I amnésia que por vezes me acomete rasteira uma morte temporária da veia a faca do meu veneno gotas pintam partituras no chão do banheiro.
Escrito por lorena martins às 15h50
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fudida desgostosa da vida chorar, chorar, chorar, bebendo stella artois maria gladys 
com Joel Barcellos em A Agonia (1976), de Júlio Bressane
Escrito por lorena martins às 12h13
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MENDIGA VOZ Y aún me atrevo a amar el sonido de la luz en una hora muerta, el color del tiempo en un muro abandonado. En mi mirada lo he perdido todo. Es tan lejos pedir. Tan cerca saber que no hay. Alejandra Pizarnik 
anna. cría cuervos, de carlos saura (1975)
Escrito por lorena martins às 12h23
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pela manhã eu vi
à espreita no sofá
a serpente.

betty blue (1986)
Escrito por lorena martins às 10h17
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aflitos os pássaros
parapeitos
e fins de noite
meditam sob o céu
cobre
o manto de chuva
que tímido atrás
da cortina
você não vê.
Escrito por lorena martins às 14h14
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sombras rosas sombras
Sob um céu estranho sombras rosas sombras numa terra estranha entre rosas e sombras numa água estranha a minha sombra
Ingeborg Bachmann Tradução João Barrento
liv ullman
max von sydow
em a hora do lobo (1968), de ingmar bergman
Escrito por lorena martins às 23h16
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Tempo do coração, vale os sonhadores no lugar dos ponteiros da meia-noite
alguns falam no silêncio, alguns se calam alguns seguiram seu caminho banidos e perdidos estavam em casa
vós, catedrais
vós, catedrais não vistas vós, rios inaudíveis vós, relógios intrínsecos em nós.
Paul Celan

Berlin Alexanderplatz (1980), de Rainer Werner Fassbinder.
Escrito por lorena martins às 12h25
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Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever. No entanto ele está cá dentro inquieto, vivo. Ele está cá dentro e não quer sair. Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade
Escrito por lorena martins às 12h27
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