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BRASIL, Mulher, French, English MSN - lorenapoema@hotmail.com
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flip 2008
~ É O MELHOR QUE NÓS TEMOS ~
primeira picareta cultural de paraty
ave embromadores! 'é o melhor que nós temos' não deriva dos elefantes, não compactuou com nenhum deus da chuva e da morte, não trepou em belvederes e sequer furou filas sem fim de demônios descontentes ao acaso - na dúvida, culpem o sindicato. cambalhotas, deu, dá (muitas). fogo-de-artifício, amorzinho de luxo, marcianos de segunda mão. plástico plágio estro, eramosditos. preciso te dizer, preciso te dizer. uquê, que ser? amálgama popular? vados n’ wasos? zangarêio literárius? nenhum trágico na gaveta, quem dirá à deriva. lôras-morenas-lorenas. poemários maltratados. cordeiros/lobos, todos enfim juntos: tocando a bandinha, exorcizando a bandalhêra. cristão nenhum desta vez. não é o fim do mundo, não ainda. na próxima quem sabes. noutra vida, noutras teses, noutra tez. pelo bem e pelo mal: é o melhor que nós temos, é o melhorquenóstem, é o melhó.
traduzindo: primeira picareta cultural de paraty = escribas consagrados, grandes jovens autores, música ao vivo.
nomes nós já temos. vejamos se todos aparecem até a hora do recreio.
5 de julho - sábado; a partir das 19 horas no antigo toronto (atual bar e restaurante do alemão), no centro histórico de paraty.
programação: http://www.melhorquenostemos.blogspot.com/
Escrito por lorena martins às 17h09
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le déménagement
caros e queridos
apaguei por acidente o poema postado logo abaixo, daí o porquê do seu súbito movimento nas entranhas do blog.
andei e ando ausente, mas eu ainda sou uma fruta gogóia.

Escrito por lorena martins às 21h56
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eu te dôo a minha apatia jogo os cinzeiros sobre a mesa até os estilhaços vidro, baganas e meus pés em falso
eu desvio meu pensamento pisando em cacos mofando a toalha na cabeça cinzenta afogando banhos frios.
eu me ofereço pálida meu amor atordoado que se queima à boca do bule retinta.
eu me concedo ansiosa guardando dos livros os trechos que me podam rasgando os poemas pela metade permanecendo chuva turva e tua.

egon schiele "nu assis" (1910)
Escrito por lorena martins às 21h38
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desamor
é a dor de um morto
as fotos guardadas
na caixa de sapato
é da cor do grito
e me ventila
sempre que insone desabo
pela casa
vazia
é uma ressaca
que quando me acorda
chora
seu nó na garganta
é um ensaio
que tardando para ir embora
adormece seu sonho
insalubre
é um soneto arredio
um sol que se põe
sobre mim
é um soco,
um escândalo
sempre que desperto
e me vejo
partir.
Der Kuss, de Gustav Klimt (1907-08)
Escrito por lorena martins às 00h51
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disfarce
sorri no canto
da foto
a mão no bolso
da macieira
esboça um bigode
de barbeiro
um penteado
de banho-tomado
à sombra
a camisa alinhada
à matéria
embargada
ensaiada
sorri
um silêncio
de ponte
à esquerda ao lado
da moça de chapéu
o dia nublado
na boca num beco
piscava
julien pacaud
Escrito por lorena martins às 00h32
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homenagem ao querido poeta otávio afonso,
com quem tive o prazer de conviver nestes meus 8 meses de ministério da cultura. reproduzo aqui o último post do seu blog, chão do adeus:
Lição
por todas as coisas aprendidas inutilmente
por todas as coisas guardadas no improviso da dor
agora recolho meu próprio vulto no que permite a solidão neste duro chão humano
mas me falta o suor do teu corpo e a direção dos ventos
Escrito por lorena martins às 13h52
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band à part, de j-l godard, 1963
eu curo meu silêncio
com gaze, museus
mercúrio
a noite em claro
a semana chove
ferida
ninguém mais suporta
molhar os pés
eu peço um duplo
cafeína, vodka,
versos
fotos de abajur
à meia-noite
suspira
billie na calçada
a heaven just for two
é uma saga
Escrito por lorena martins às 18h55
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Poema nº 03: La Tristesse

L'absinthe, de Edgar Degas (1876)
Escrito por lorena martins às 22h54
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(imãs de geladeira chez j & c)
o domingo
que entre mim
preguiça
acorda
essa gaveta
de insônia
fanny e alexander, de rei bergman
Escrito por lorena martins às 02h00
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planetárias
as pupilas delatam
o céu
i'm not there, de todd haynes (2007)
Escrito por lorena martins às 18h10
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a tempestade
no último degrau
(suspiro)
pro inferno carregue
teus sapatos vermelhos
teu suspeito convite
para dançar
respire
no the end
tudo o que eu digo é
lamento
não há como chover mais
neste dia embriagado
de solidão
sigo atropelável
pedindo suco de laranja
às lágrimas
pro vendedor de guarda-chuvas.
robert doisneau
Escrito por lorena martins às 15h12
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to be a man ray
deixava a madeira molhar
até tomar cores
de mágoa, de terra
envelhecendo
como o braço da cadeira
kiki dançava
talhada à mão
imóvel.
man ray "noire et blanche", 1926
Escrito por lorena martins às 23h37
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leandro de paula, leandro lascado ou leandro post-scriptum descobriu-me caiocarmachianamente no bordel internético e postou-me lá no portal literal, onde é o poeta curador do mês. tamanha querideza deste guri do rio, que também descubro em meio às fagulhas e alaridos do fogo de artifício e na sonora-delícia bagatela.
afinal "a gente não presta, mas não deixa a peteca cair". merci, chéri!
Escrito por lorena martins às 12h39
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assim como se pode amar
meu casaco é só pose
neste inverno de fotos e almas
meu chapéu tem a cor
das fugas
o sorriso que posa pro álbum
com seus dentes suados
esbarra
no colete claro
de naftalina
ao lado.
iberê camargo: sem título, 1986
Escrito por lorena martins às 10h08
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não me venha com as tuas boletas
a minha fantasia
é te encontrar no hospital
brigar com os enfermeiros
deitar no primeiro bar
descobrir a cidade embriagada
matar-me aos poucos
abrindo as garrafas com o vestido
negando moedas
estúpida
sozinha
com uma bic e um guardanapo
e um garçom
que me fere
me inveja
chorar.
9 songs, de michael winterbottom (2004)
Escrito por lorena martins às 22h45
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manhã de tijolos
do quarto escuto
abafada pelos cobertores
a sirene
rodopia
tua voz
vermelha
rouba-me as maçãs
do rosto
anna karina em vivre sa vie, de j-l godard (1962)
Escrito por lorena martins às 23h07
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infância
no centro dos meus olhos o mundo girava
nesta época as mangueiras davam flores Tânia Mara passava carregando seus cadernos como se carregasse os segredos dos homens
bem na frente de casa
o mundo girava girava a escola o pão mofado na merendeira o rio preso no mapa
bem no meio da tarde
nesta época morrer era um mistério meu avô erguia a bengala apontava para o horizonte e dizia que lá - depois do fim - nascia livre e límpida uma cordilheira
do meu querido amigo otávio afonso
http://ocmas.blogspot.com/

candido portinari
Escrito por lorena martins às 18h38
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FOTO ARTE 2007 Brasília
voilà:
Entre a Nostalgia e o Cinismo, de Wang Qingsong (China), com curadoria de Josette Balsa; Panorâmicas, de Esteban Pastorino e Natureza Viva, de Sérgio Fasola (Argentina), com curadoria de Elda Harrington; Re-flexos, luz e sombras – Fotografia e Psicanálise, de Andréa Mendes (Brasil) e a Coletiva Urban Spaces (Brasil), idealizada por Ilana Bessler.
imperdíveis:
o chinês e seu cinismo superpop

esteban e seu neo-futurismo melancólico

e o seu sergio, que bebeu picasso e cézanne com arcimboldo

e eu achei uma maravilha.
tudo no
espaço cultural contemporâneo ecco
outubro/novembro em brasília. e tomara que vá para outros sítios.
Escrito por lorena martins às 23h43
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bien, inaugurando uma nova fase do blog (que em breve vai ganhar outro visual), não só postarei os meus poemas, mas também outras cousas. começo com um poema que amo
ÁGUA PERRIER
Não quero mudar você nem mostrar novos mundos pois eu, meu amor, acho graça até mesmo em clichês.
Adoro esse olhar blasé que não só já viu quase tudo mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.
Só proponho alimentar seu tédio. Para tanto, exponho a minha admiração. Você em troca cede o seu olhar sem sonhos à minha contemplação:
Adoro, sei lá por que, esse olhar meio escudo que em vez de meu álcool forte pede água Perrier.
antonio cicero
Escrito por lorena martins às 00h13
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encontrei uma pousada com janela no teto.
disseram-me as moças
que de lá podemos ver várias lunas,
daquelas que só existem na argentina.
a primeira noite de tranqüilidade, de valerio zurlini (1972)
Escrito por lorena martins às 21h37
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(noturno, soturno, saturno, o torpedo:)
há alguém que não dorme. sonha, apenas.
musica pequenos ruídos. sorri para o silêncio
um sorriso na escuridão.
há alguém que penumbra de amor.
Escrito por lorena martins às 00h01
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não que meus pés
não estivessem
escondidos no sofá
amarelo
queimado
minha cabeça
é mais um foco de incêndio
atravessando a asa norte
vazia
11%
os passantes correm de calor
e de atraso eu tropeço
arranco pedaços da pele seca
e sangro
não que os ventos
não soprem mais
no meu ouvido
não que eu não minta
estou com gripe
para adorar amargar
na minha cama
mas a chuva
só em outubro
quando alguém que não houve
me ouvir
no olhar.
o céu de suely, de karim aïnouz (2006)
Escrito por lorena martins às 23h22
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estou na

De 08 a 30 de setembro
Oi Futuro
Rua Dois Dezembro, 63 - Flamengo
Rio de Janeiro
(clique na imagem para ver o convite)
Escrito por lorena martins às 18h12
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a janela gradeada suspensa na xícara café amargo
esqueço de adoçar, eu nem sempre esqueço.
a mala ocupando o corredor arranca-me os sapatos
eu salto eu caio esparramo mapas
enquanto o telefone toca e eu não atendo.
do parapeito desconheço vizinhos aceno em vão
deixo queimar o rosto a metade
memorizo o caminho de volta com as bolas do colar
vermelho
embrulho tudo no lençol lenços, casacos
caixas-pretas
amarradas, assustam o porteiro
bom dia, dona flor
é feriado.
les amants réguliers, de philippe garrel (2005)
Escrito por lorena martins às 22h49
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1.
(como se um jardineiro fosse me encontrar ao entardecer).
no espelho, trapaço. cansei de ser mínima.
mas no meu sonho vêm quebrados os vidros:
de repente, teu cheiro acorda com o gosto do vinho e me vacino:
na coxa esquerda, anti-tétano na outra, hepatite b
no braço direito, não posso: meu mal é febre.
de resto uma gripe qualquer uma anti-doença ou uma noite.
no meu sono, uso chapéu:
do jardim vejo p e r a m b u l a r e s e volta ou outra
escapo.
2.
antes fumo uma última vez a tua saliva.
wong kar wai: happy together (1997)
Escrito por lorena poema às 11h42
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jazz méditerranée
eu de pés descalços
dançando saudades de você
henri matisse "le bonheur de vivre" (1905/06)
Escrito por lorena poema às 12h38
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a moça embica
pra recuar
pra navegar
eu agarro
dedo a dedo teus
cabelos
fósforos
pra desfazer
pra delatar
a moça faz bico
faz frio
e o semáforo insiste
em amarelar
pra fazer sombra à lua
eu subo a capota
e estendo-te a mão
pra descansar
pra fazer jus
a um quarto
de hora
rego-me como
às plantas:
gangorra minha boca-de-louça
da raiz dos pés
aos pés do ouvido.
foto letícia verdi
Escrito por lorena poema às 22h21
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loretta lux

hoje, enquanto o dia gritava seus lugares, lembrei de quando cresci.
cresci numa tarde dessas em que o vento parece saudoso suado e num deslize respira o rosto e devaneia.
cresci como quem atravessa o trigo arranca das árvores as folhas boas e de qualquer vertigem passageira o vestido.
cresci chorando sobre um gramado roxo, destemperado, que nos invernos cobria meus pés de terra e formigava.
cresci diante dos meus olhos épocas - um só corpo ensolarado enjoado.
eu ri quando cresci.
e despejei rumores, meias escuras e copos pela metade.
assim que a noite, não tão noite mas ríspida, viu meus braços se alongarem, os cabelos formarem cachos, eu desfiz.
tramei meu conto.
quando cresci, o cruzar de pernas que minha mãe ensinou, o tom de voz que me era permitido, a blusa de tricô que escondia os mamilos,
amargaram.
foi então que amanheci.
cobri o embaraço com pitangas à boca mergulhei onde era raso desejei os meus pudores e me vi quando era quase entristecer.
eu cresci e na moldura dos traços rastros, lastros eu te vi:
é um túnel.
Escrito por lorena poema às 19h48
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Gael em Má Educação, de Pedro Almodóvar

dá-me um branco ignora-me na tua mesa-de-bar mata-me os insetos com teu solado de espanto
veste-me como a tua saída
- uma noite se quebra com uma taça.
sua-me enquanto dispo-me diante da bula reclusa teu insano sacrilégio
até que eu te odeie burla-me doa-me um pedaço no fim do teu túnel jaz-me vermelha aguda
minha saia curta a cortar-te a barba
meu veludo gasto a alfinetar-te o sopro
meu salto
agulha.
Escrito por lorena poema às 22h15
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quem dera agora um canto teu um lóbulo ao alcance da língua para lamber-te um canto meu quiçá que está que há

ana y otto. "os amantes do círculo polar", de julio medem.
Escrito por lorena poema às 23h23
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quarta-feira
passei o dia em mim
e te encontrei.
 henri cartier-bresson
Escrito por lorena poema às 18h29
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Escorre-me o cansaço escuro dos cabelos à laje imunda minha fala derramada.
(inunda-me pensar-te longe)
Arrasto camisolas e divãs respiro próximo à janela pequenos infernos rachados às pressas. | |